Polícia do RJ pedirá prisão de 5 PMs por morte de jovem em Manguinhos
Laudo aponta que Paulo Roberto Pinho morreu de asfixia mecânica.
Família afirma que policiais espancaram o jovem em um beco.
Mãe segura a identidade do filho morto em
Manguinhos (Foto: Lívia Torres / G1)
Manguinhos (Foto: Lívia Torres / G1)
Nesta sexta-feira (29), o delegado titular da unidade, José Pedro da Costa e Silva, vai pedir a prisão temporária dos cinco PMs. São eles: José Luciano da Costa Neto, Rodrigo da Costa Tavares, José Cardoso de Araújo Junior, João Paulo da Silva Rocha e Jeferson Albuquerque Pinto.
Segundo a Coordenadoria das UPPs, os policiais já foram afastados dos serviços operacionais desde o dia seguinte a ocorrência, ou seja, em 18 de outubro. Além do inquérito aberto pela 21ª DP (Bonsucesso), há um procedimento apuratório em curso por determinação do coordenador das UPP, coronel Frederico Caldas.
A PM tentou controlar a manifestação. Houve tumulto e uma adolescente de 17 anos acabou baleada. Ela foi encaminhada para o Hospital Salgado Filho, no Méier, também na Zona Norte, e já teve alta. O corpo de Paulo Roberto foi enterrado no Cemitério de Inhaúma.
PMs negam espancamento
Os cinco policiais foram ouvidos na delegacia e negaram terem espancado o rapaz. A família e uma testemunha que estava com Paulo Roberto também foram ouvidas. A testemunha afirmou que o jovem levou uma joelhada no tórax e foi espancado.
O delegado disse que Paulo Roberto chegou com vida na UPA de Manguinhos. Ele também contou que o jovem tinha sete passagens pela policia, quatro por furto e três por assalto a mão armada.
Preso em Bangu
A tia de Paulo Roberto, que esteve no Instituto Médico Legal (IML) para reconhecer o corpo, confirmou que o jovem tinha passagem pela policia e estava preso em Bangu este ano. Segundo ela, ele foi solto pois pagou fiança. A doméstica também afirmou que os policiais conheciam Paulo Roberto.
"Eles conheciam meu sobrinho e só arrastaram ele pro beco. A comunidade está em guerra agora. Queremos justiça."
Segundo o comando da UPP Manguinhos, a morte de Paulo Roberto ocorreu durante uma abordagem seguida de perseguição a pé, ocorrida por volta das 3h15 na localidade Barrinho. A PM informou que os agentes avistaram quatro jovens suspeitos, que fugiram em direção a um beco.
O comando da UPP disse, ainda, que Paulo Roberto caiu desmaiado, "visivelmente alterado", antes de ser capturado. Ele foi socorrido pelos policiais até a UPA de Manguinhos, onde chegou morto, conforme confirmado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
Caso lembra Amarildo
O caso de Paulo Roberto lembra o do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, que teria sido morto por PMs na Rocinha, Zona Sul. Vinte e cinco PMs da UPP da comunidade foram denunciados pelo Ministério Público e trezes deles estão presos, pelos crimes de tortura seguida de morte e ocultação de cadáver. O corpo do pedreiro segue desaparecido.
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