Justiça russa liberta sob fiança último ativista do Greenpeace, diz ONG

Organização ambiental publicou informação no Twitter.
O australiano Colin Russell estava preso há mais de dois meses.

O australiano Colin Russell em imagem feita em 18 de novembro. O ativista do Greenpeace será libertado da prisão após pagar fiança (Foto: Dmitri Sharomov/Greenpeace Internacional/AFP)O australiano Colin Russell em imagem feita em 18 de novembro. O ativista do Greenpeace será libertado da prisão após pagar fiança (Foto: Dmitri Sharomov/Greenpeace Internacional/AFP)
A Justiça russa decidiu nesta quinta-feira (28) libertar mediante pagamento de fiança o último membro da tripulação do navio Arctic Sunrise, da organização ambiental Greenpeace, que estava preso desde 18 de setembro após protesto em uma plataforma de petróleo no Ártico.
O australiano Colin Russell era o único dos 30 membros da tripulação que não havia se beneficiado desta medida em primeira instância. O Greenpeace divulgou a informação em seu Twitter nesta quinta.
Todos os outros 29 já saíram de prisões em São Petersburgo após um tribunal decidir pela libertação deles mediante o pagamento de fiança, estipulada em dois milhões de rublos para cada ativista, cerca de 45 mil euros.
No grupo estava a brasileira Ana Paula Maciel, que saiu da cadeia em 20 de novembro. Ela e os demais tinham sido detidos em 18 de setembro após realizarem uma manifestação na plataforma de petróleo da companhia Gazprom, no Mar do Norte, região do Círculo Polar Ártico.

O grupo teve a prisão preventiva decretada após ser denunciado por crimes de vandalismo e pirataria, acusações feitas pela Rússia -- o governo divulgou que a acusação de pirataria seria retirada, mas o Greenpeace diz que a denúncia ainda.
Ana Paula Maciel, ativista brasileira do Greenpeace
que ficou presa na Rússia, encontra a mãe em
aeroporto de São Petersburgo neste domingo (24)
(Foto: Dmitri Sharomov / Greenpeace)
Ana Paula Maciel, ativista brasileira do Greenpeace que ficou presa na Rússia, encontra a mãe em aeroporto de São Petersburgo neste domingo (24) (Foto: Dmitri Sharomov / Greenpeace)Período difícil, diz brasileira
Em entrevista, Ana Paula Maciel disse ter vivido o período mais difícil da sua vida enquanto esteve presa e afirmou ter ficado surpresa ao saber que seria libertada da prisão, após pagamento de fiança.

Com o passaporte em mãos, mas sem previsão de retornar ao Brasil, já que ainda aguarda o julgamento no país, Ana Paula contou que ficava 23 horas por dia dentro da cela em Murmansk, primeira cidade em que esteve detida, onde assistia a televisão, rezava e lia. Dividiu o ambiente com presidiárias russas e, apesar de tudo, afirmou estar tranquila, ansiosa para ver a família e agradecida pelo apoio do governo brasileiro.
Segundo a gaúcha, o tempo de reclusão valeu a pena porque “fez chegar às pessoas do mundo inteiro a mensagem de que é necessário fazer algo para salvar o Ártico.”
Ela sabe que a possibilidade de voltar à cadeia existe, caso seja condenada pelos crimes de vandalismo e pirataria, acusações feitas pela Rússia -- o governo divulgou que a acusação de pirataria seria retirada, mas o Greenpeace diz que a denúncia ainda permanece.
“Se a Justiça russa for mesmo justa, eu não tenho que ter medo de ser condenada por algo que não fiz. Embora trabalhe com essa possibilidade, não acredito que isso aconteça”, concluiu Ana Paula.

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.