Henrique, conhecida como Milena, que foi presa acusada de ser a chefe da quadrilha Foto: Divulgação / Agência O Globo
O
estudante X., de 21 anos, chegou em um bar na Lapa por volta de 21h30,
no último dia 5. Depois de encontrar um amigo e conversar, decidiu pegar
um ônibus, na Cinelândia, para voltar para casa. Antes das 2h, depois
de passar pelos Arcos, no final da Rua Mem de Sá, foi abordado por um
grupo de mais de dez travestis. Enquanto o abraçavam e faziam
brincadeiras, um deles puxou o celular de X. de seu bolso. Alertado por
um rapaz que passava, ele tentou recuperar o aparelho. Hoje se arrepende
da reação: três dos travestis, com estiletes nas mãos, lhe fizeram
cortes pelo corpo. Ele levou cem pontos no rosto, pescoço, barriga e
virilha.
As cicatrizes no corpo do estudante X., de 21 anos Foto: / Alexandro Auler De
acordo com investigações da 5ª DP (Mem de Sá), o grupo é formado por
cerca de 13 travestis. Três deles já foram presos e dois menores de 17
anos, apreendidos, pelos crimes. Ainda há, porém, duas pessoas foragidas
e outras ainda não identificadas. Na delegacia, pelo menos seis
inquéritos investigam furtos, roubos e lesões corporais provocadas pela
quadrilha.
— Eu achava que elas estavam só me batendo, não senti
os cortes. Quando me vi no espelho, fiquei desesperado — relembra o
estudante.
Ele contou que a ação do gangue durou menos de um
minuto. O colega que o acompanhava, estava caminhando mais a frente e
sequer notou a agressão. O jovem passou por uma cirurgia plástica e faz,
por tempo indeterminado, aplicações de corticóide nas cicatrizes.
Identificado
como chefe do esquema, o transexual Henrique Miranda de Souza,
conhecido como Milena, de 18 anos, foi preso. Com 21 passagens por furto
e roubo — a maioria por assaltar turistas na Avenida Atlântica — ele é
tido como mais perigoso. Aos ser levado para a delegacia, porém,
permaneceu calado.
No mesmo dia que o grupo atacou o estudante, os
travestis fizeram outra vítima: a também travesti Y., de 30 anos, teve
documentos e R$ 500 que ganhara em programas roubados. Seu rosto também
foi cortado.
— Eu estava parada na rua quando me abordaram pedindo
cigarro. Quando vi estavam tirando sangue de mim, fiquei com a cara
deformada — narrou Y.
Para o delegado Alcides Alves Pereira,
titular da 5ª DP, a prisão dos outros integrantes da quadrilha é
“prioridade” para evitar que outras vítimas sejam violentadas.
Foragidas, mas no Facebook
Maxwell
de Araújo Cardoso, conhecido como Bruna Rayalla, e Marlon Evangelista
do Carmo, chamada de Nicolly Frazão, ambos de 23 anos, são dois dos
travestis identificados pelos procedimentos e que continuam foragidos.
Segundo o Setor de Investigação da distrital, o grupo ataca, sobretudo,
homens, às quintas, sextas e sábados depois de 23h. Sempre nas
proximidades dos Arcos da Lapa, nos arredores da Rua do Riachuelo.
Maxwel de Araújo Cardoso, conhecida como Bruna Rayalla, acusada de participar do grupo Foto: Terceiro / Agência O Globo Foi
neste trecho que um casal mineiro foi abordado pelos bandidos. Às 23h30
do dia 25 de outubro, um dentista, de 40 anos, e uma professora, de 30,
caminhavam, em frente ao Circo Voador, quando os atravestis abraçaram o
rapaz. De repente, o imobilizaram. Em depoimento, os turistas contaram
que, em segundos, tiveram celular e dinheiro roubados.
As
investigações avançaram, segundo os policiais da 5ª DP, a partir da
prisão de Willian Silva dos Santos, namorado de Henrique. Por volta de
1h30 do dia 13 de outubro, ele foi flagrado por policiais militares do
5º BPM (Praça da Harmonia) roubando um celular.
Marlon Evangelista do Carmo, conhecida como Nicolly Frazão, também está foragida Foto: Terceiro / Agência O Globo As
duas foragidas já têm fichas de antecedentes criminais extensa.
Enquanto Bruna Rayala já cumpriu pena por roubo, Nicolly Frazão responde
por furto qualificado e extorsão. Mesmo procuradas pela polícia, as
duas mantém páginas ativas em redes sociais. No último dia 10, Bruna
postou: “Estou com HIV” em seu perfil. A mensagem foi curtida por sete
pessoas e, até a noite de sexta-feira, tinha 22 comentários. “Bem vinda
ao clube” foi um deles. Já Nicolly colocou, anteontem, uma foto em que
vestia top e short com o seguinte texto: “Nesse exato momento”.
Detalhes da quadrilha
Lapa
Legal: Dois dias por semana, dois agentes das delegacias de Atendimento
ao Turista, de Proteção a Criança e ao Adolescente, de Combate as
Drogas e da Criança e do Adolescente Vítima realizam o projeto Lapa
Legal para coibir o tráfico na região e cumprir mandados de prisão.
Prisão:
Os agentes já estão com os mandados de prisão dos travestis e tentam
cumpri-los. Desde o ano passado, a ronda já cumpriu 100 prisões e 25
apreensões de menores, além de apreensões de drogas e armas brancas,
como facas e estiletes.
Armas: Esse tipo de armamento é o usado
pelo grupo de travestis. Henrique estava com um estilete nas mãos quando
foi presa em flagrante tentando agredir outro travesti, na Rua Mem de
Sá. Ele foi autuado por lesão corporal na ocasião.
Associação:
Presidente da Associação Agenttes, que engloba mais de 100 travestis com
atuação na região do Centro, defende a classe: “Nós travestis,
residentes na Lapa e que trabalhamos, não somos marginais e colaboramos
com as investigações”, garante Luana Muniz.
Gangue de travestis furta, rouba e agride na Lapa
Reviewed by Portal G2
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